quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Capítulo 10 - Como fazer para ir bem?

Capítulo 10 - Como fazer para ir bem?

A ideia deste capítulo é de mostrar-vos como transformar, utilizar um modo de funcionamento geralmente doloroso, em força de vida, em energia liberada.
Descrever um funcionamento de uma personalidade não tem sentido senão que se possa refletir sobre novas pistas, considerar respostas à única questão válida: como fazer para se sentir bem? Saber, de acordo, mas por que fazer se não é para melhorar sua vida? Por vezes, para se lhe dar um sentido. Saber onde se vai, em plena posse de si.
Eu ficarei constrangida nestas linhas em distinguir de maneira arbitrária as principais facetas que singularizam o modo de funcionamento de um adulto sobredotado. É arbitrário, compreende-se bem. Tudo está ligado: a inteligência não caminha jamais sem a sensibilidade. A criatividade é produto direto da alquimia entre inteligência, lucidez e receptividade emocional. A empatia não adquire sentido senão se inscrita na hiperafetividade e na consciência do outro que a inteligência transforma em clarividência. 

domingo, 6 de novembro de 2016

A grande artimanha do sobredotado: as "montanhas russas"

Lembrem-se dessas manobras. Nessas subidas, vocês se sentem carregados, transportados, a ascensão é excitante, mas vocês sabem que o ápice se aproxima e o medo vos alcança. E de repente, o tombo vertiginoso, que parece vos aspirar num abismo sem fim. Tudo se precipita, emocionalmente e fisicamente. Vocês têm a sensação de uma morte iminente, tanto as percepções são violentas nos seus corpos, depois, vem o looping e, de cabeça para baixo, vocês perdem o senso das coisas, a ordem do mundo. Vocês não sabem mais onde vocês estão, vocês não sabem mais se vocês sairão vivos desta aventura. Mas então, uma nova subida inicia, vocês retomam confiança, tudo retorna possível...
A vida do sobredotado parece um pouco com isso: feita de esperanças infinitas, de decepções fulgurantes, de alegrias intensas, de poços de sofrimentos, de encadeamentos inebriantes, de sensações e de emoções contraditórias. Uma vida raramente linear. Onde se perde também rapidamente seu objetivo pois nele se encontra um novo, onde as emoções intensas estão sempre presentes, boas ou más, onde se tem sempre medo, tanto na subida quanto na descida.
Uma manobra onde se volta tranquilamente, com o único objetivo de apanhar o tufo, o pompom, seria tão mais repousante. À imagem da vida: para alguns, "rolam", dizem eles, quando se lhes pergunta as novidades de sua vida, "vai indo", respondem eles quando se fala de sua profissão. O 'pompom', é o êxito que se gostaria tanto obter. Com a ilusão de uma reviravolta de vida gratuita? Talvez seja efetivamente isto que faça avançar o mundo...

>> O dia onde a magia da artimanha interrompe-se, onde as luzes extinguem-se.
Alice tem 55 anos. Sua vida expõe-se nos jornais. Ela é conhecida e reconhecida. Mas seu par vacila. Durante vinte e cinco anos, ela e seu marido brigam com a vida e nas suas relações, eles construíram tudo juntos e ao mesmo tempo foram-se destruindo. Muito de relações de força, muito de paixão e então muito de ódio. Muito amor, é claro. A ruptura decidiu-se, a separação se fez. Ele, acaso dos encontros, apóia-se sobre uma nova ligação "que o retém". Ela tenta aventuras amorosas mas não chega a se "fixar". Seu turbilhão de vida continua: viagens, projetos, realizações profissionais, encontros incessantes e festivos, etc. Mas a ausência de seu marido torna-se, nos fios dos meses, insuportável. Com ele, a vida era difícil, sem ele, a vida é impossível. O que ela exprime sobretudo, é este sentimento de ter perdido a conexão com suas emoções. Ela sente com sua cabeça, diz ela, mas mais com suas entranhas. Por exemplo, se sua pequena filha salta nos seus braços, ela fica louca de alegria, mas não sente o prazer na profundidade dela mesma. Reação emocional, zero. Tudo lhe parece semelhante. Como se mais nada tivesse verdadeiramente importância, interesse. Um pouco como uma vida que se tornasse de repente em negro e branco. Então, Alice luta para "fazer semblante", de estar contente, de entusiasmar-se, de ter prazer. Mesmo com seu amante do momento ao qual ela está muito ligada e com o qual ela passa verdadeiros momento de prazer, ela confessa: "Por vezes eu me forço. É verdade, eu estou bem, ele é formidável. Nós rimos muito, nós falamos de tudo. Mas, na verdade, eu me entendio. É uma sensação insuportável, eu não posso mais." Esgotada, no fim dos recursos para continuar o que ela descreve como uma "comédia" onde ela se perde, ela tentará o suicídio. Mas quando voltamos a conversar, ela repete que ela não queria morrer. Justo, ela não podia mais viver assim, uma vida insípida onde não se vibra mais. "À que é bom?", insiste ela. Não, isto não é um simples quadro de depressão pela qual ela é tratada depois de muitos meses, sem efeitos notáveis. Não, pode-se levar um terapia habitual com uma paciente como Alice. Ela vos espiona, capta a menor de vossas reações. Ela está dentro da noção que você não a compreende verdadeiramente, que você faz tudo simplesmente profissionalmente e não essa pessoa sobrehumana que vai poder ajudá-la... pois sua lucidez extrema demanda uma vigilância terapêutica em todos os instantes. Como modificar a visão do mundo de Alice tanto sua sagacidade é evidente, como ajudá-la a reencontrar um equilíbrio de vida ao passo que é nos contrastes que ela se sente viva, como lhe permitir se reconectar a suas emoções se é por elas que o sofrimento chegou? O que é difícil, muito difícil, para o terapeuta, é não relaxar no caminho, não dizer repentinamente uma banalidade ou tentar fazer crer que o impossível pode se tornar considerável. E, para Alice, o impossível é 'recuperar' seu marido pois ele está no centro de tudo o que ela construiu. Para ela e para sua família. E não se trata nem de inveja, nem de orgulho, nem de amor-próprio. Talvez mesmo não de amor em resumo. Mas, como frequente no adulto sobredotado, num sentido profundo de engajamento que torna o liame indestrutível, eterno, de um apego infinito que torna a ruptura impensável. No verdadeiro sentido do termo. Não é que ela não queria avançar na sua vida diferentemente, mas ela não pode. Ela não é feita como esta Alice. "É justamente não ser possível", insiste ela. Ademais, seu funcionamento de sobredotada não lhe deixa nenhuma trégua: nem na sua análise permanente do ambiente, dos outros, das situações nem na sua vivência emocional. Não mais viver com suas emoções, é não mais viver de todo.

A aposta, e não os insignificantes: fazer Alice tomar consciência dos meandros de sua personalidade e fazê-la descobrir todos os recursos escondidos em si. E ajudá-la a servir-se como uma força de vida e não mais como um bumerangue autodestruidor.
E, então, apesar de bela, rica e inteligente, Alice se lastima! Mas quem pode compreender ou somente entender uma inverossimilhança parecida?

"No primeiro curso de filosofia, nosso professor, à guisa de sacrosanto, fez-nos preencher o questionário de Proust. Na questão 'Qual dom da natureza teria você gostado de receber?', eu respondi: 'a idiotice'. Ele me fez notar que era muito pretensioso, como resposta. Mas este imbecil teria podido primeiramente esconder aquele sofrimento que havia por trás, que eu não sabia exprimir de outra forma que por uma trirada original ou uma provocação. Eu dizia a quem quisesse entender que não era por nada que se falava de imbecis felizes. Que seria necessário ser um pouco idiota para conseguir ser feliz." Testemunho de um adulto sobredotado.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A inteligência como recurso

"O que há é que é preciso aprisionar este sobremais de inteligência, percebê-la e fazer valer com conhecimento de causa, sobretudo, não mais achatar os outros... nem os subestimar não mais, aliás. Eu chamo isso de inteligência desabrochada e benevolente."

Tal é efetivamente a grande proposta. Como aprisionar este 'muito' de inteligência ou mais exatamente esta 'estranha inteligência', aquela que faz ver a vida de maneira tão diferente, tão amplificada, tão onipresente?

>> A inteligência como vetor da estima de si
A inteligência permite ser autocrítico, o que não comporta senão aspectos negativos. Quando se é inteligente, tem-se consciência dos momentos onde se é... imbecil! Reage-se de forma inadaptada. Não pertinente. E então aqui pode-se rir, zombar gentilmente de si e sobretudo corrigir. É um trunfo maior: a consciência de si e de seus atos permitem uma conscientização do que se é, do que se faz, do que se diz.
Enquanto outros funcionam sem nenhum recuo, o sobredotado pode se colocar em perspectiva. Esta profundidade de campo oferece inúmeros recursos. É preciso aproveitá-lo plenamente. Utilizar esta capacidade para autocrítica e para colocação em perspectiva para avançar. Crescer. Abrir-se. E não mais sofrer por causa dessa introspecção imediatamente negativa. Seja lúcido: é a dúvida que você prova sempre sobre você mesmo que deforma vossa percepção e dá automaticamente esta coloração negativa à imagem que você tem de você. Não é a sua realidade. Quando se pensa em si, pode-se colocar a opção positiva!
Desbravar esses espinhos que escondem uma floresta imensa. Onde podem se aventurar sem medo, e, ao contrário, fazer emergir toda a beleza para vosso maior bem e o dos outros. Não deixar essas ideias negativas ocultarem todas as riquezas escondidas. Elas aí estão. Elas vos pertencem. Aproveitem-nas.
A inteligência, esta forma de inteligência, permite verdadeiramente pegar sua vida na mão, em plena consciência. Vossa capacidade de autocrítica pode vos permitir considerar, também, esta inteligência como uma qualidade que, corretamente utilizada e bem canalizada, pode alimentar uma imagem positiva de si. E estando confiante do que se é, do que se pode realizar. 

>> A inteligência e a evasão pelo pensamento
O mais frequente é falar disso como um defeito. Critica-se, na infância e mesmo no adulto, evadir-se no pensamento. Pode-se compreender que este funcionamento pode ser irritante ou perturbador em certas situações. Mas é também uma maneira muito útil de utilizar seus recursos de pensamento. Se você se acha num momento difícil, que se sinta mal, sofra fisicamente, moralmente, você pode se desembaraçar dessa situação pelo pensamento. Fazer-se carregado e recarregado por ele. O imaginário rico alimentado pela memória, a exarcebação de todos os sentidos e as capacidades de associação podem fabricar um sonho suficientamente forte para vos extrair momentaneamente e vos alimentar. Trata-se de um ato voluntário, de utilização do pensamento como um utensílio a serviço de si. É uma técnica eficiente para não restar devorado no concreto, no pesado do insuportável. O corpo resta lá mas o espírito se destaca e todo nosso ser, físico e psíquico, participa da viagem. Um verdadeiro prazer. Uma verdadeira regalia para todos os sentidos e em todos os sentidos. Um pleno de energia. 
Um só condição para conseguir essa viagem e dela tirar todos os benefícios: guardar o controle. É uma viagem organizada.

>> A inteligência e as capacidades em memória: recordar-se das belas coisas...
A memória impressionante do sobredotado, em particular por tudo o que concerne a recordações pessoais, pode tornar-se um reservatório inesgotável de bem estar.
Esta memória é dita episódica pois ela registra os episódios de nossa vida. No sobredotado, ela é capaz de estocar com nitidez e precisão um número considerável de detalhes. Entre eles encontram-se uma ou mais imagens-recurso. Eu me atenho muito a esta ideia e eu me sirvo dela muito frequentemente em psicoterapia. Procure na sua memória, deixe ressurgir lembranças fugidias, as que são agradáveis, é claro. E você verá, você irá encontrar imagens-recurso. Aquela única evocação mental vos oferece instantaneamente uma sensação de bem-estar. Você a ativa no vosso espírito e tudo se detém em você, você se sentirá bem. 
O princípio é de reativar na memória, inclusive e talvez sobretudo na memória sensorial, todas as impressões vividas no momento onde você está face ou neste cenário que agora você rememora: os sons, as cores, os odores, a temperatura, as texturas, os jogos de sombra e de luz, os minúsculos detalhes que seu cérebro percebeu e registrou. 

Encontrar em si a imagem-recurso que permitirá ficar apaziguado nos momentos difíceis. 

Léo, adulto sobredotado de 35 anos, entusiasma-se quando, em sessão, eu evoco o princípio da imagem-recurso: "Mas eu, eu sempre faço isso! Quando eu era pequeno, nós íamos todos os verões à nossa casa de campo. Eu fazia geralmente bicicleta e eu passava ao lado de um campo muito bucólico semeado de flores selvagens amarelas e brancas. Este campo me fascinava. Para mim, era a imagem da felicidade. Então, quando eu tinha um pesadelo, no escuro de meu quarto, eu fazia ressurgir esta imagem na minha cabeça e logo em seguida eu me sentia melhor. Eu adorava em particular esta brisa leve que fazia movimentar muito docemente as ervas altas e as flores, isto me dava a impressão que se expulsava todas as ideias tristes. Mesmo hoje, chega a ideia de utilizar esta recordação quando eu estou estressado. Eu faço reaparecer esta imagem, como se eu a tivesse sob os olhos, e eu experimento instantaneamente uma sensação de calma. Isto me renova as forças. É quase mágico!"

Eis aqui bem a prova de uma utilização 'terapêutica' da memória. É provável que numerosos sobredotados tenham sabido instintivamente, como Léo, utilizar os benefícios das imagens-recurso. Mais a memória é poderosa, o que é o caso para os sobredotados, mais o sonho é carregado de sensações associadas que vão reforçar a potência evocadora da imagem-recurso e seus benefícios.

Como utilizar a imagem-recurso? 

Pode-se comparar o princípio da utilização da imagem-recurso a um dispositivo que nos projetaria sobre nossa tela mental desde que nós tivéssemos necessidade de fazer desviar nossos pensamentos. No mais, sabe-se hoje que, no nosso cérebro, os circuitos que transportam as emoções pelas zonas positivas ou negativas estão muito próximos e que se pode passar rapidamente de um a outro. Do riso às lágrimas. Esses conhecimentos novos sobre a neurofisiologia das emoções explicam a ação mobilizadora das imagens-recurso que permitem transportar nosso espírito através de extensões calorosas e agradáveis: o estado emocional geral aí se encontra  espontaneamente transformado.

As capacidades da memória podem também desenvolver competências inéditas

UMA MEMÓRIA VISUAL INABITUAL
Nós estamos na passagem do balanço. Eu coloco uma questão de cálculo mental a Thomas, oito anos, Seu olhar se imobiliza, como se ele olhasse atrás de minhas costas (eu estou diante dele). Para fazer seus cálculos, Thomas visualizava os objetos que ele via atrás de mim e os fixava na sua memória a curto prazo. Depois, ele manipulava mentalmente esses objetos para obter a solução, justa, do cálculo.

A MEMÓRIA A LONGO PRAZO SOBREUTILIZADA
Nas experimentações científicas recentes, apareceu que os jovens adultos utilizavam a memória de longo prazo para resolver muito rapidamente os problemas complexos de cálculo mental. No lugar de ativar as operações necessárias, eles iam procurara na memória a longo prazo os resultados de cálculos que eles tinham feito precedentemente e cujos dados estavam próximos daqueles desse novo problema. Eles visualizavam as respostas sobre sua tela mental.
Surpreendentes procedimentos, muito diferentes dos correntemente empregados, e que traduzem bem as competências inéditas da memória visual dos sobredotados. Competências confirmadas pelas neurociências. 

OS TRUNFOS DESSA FORMA PODEROSA DE MEMÓRIA
O interesse? Uma memória fotográfica que pode estocar, intactas, cenas inteiras (reais ou abstratas) com todos os detalhes. Um indício, e a imagem completa revém em memória e pode ser novamente utilizada. Esta memória, mesmo nos adultos que pensam ter sufocado suas capacidades intelectuais, está sempre presente. 

COMO UTILIZAR ESTA SUPERMEMÓRIA?
Para reativá-la, abra os olhos, olhe, feche os olhos, descreva o que você vê na sua cabeça. Então? Parecido em todo mundo, pensa você? Teste e compare. Você se dará conta que você registrou mil e um detalhes passados despercebidos no seu teste! O exercício é fácil e muito reconfortante pois você pode aumentar a dificuldade e reencontrar uma potência de memória que vos proporcionará uma grande jubilação e que, eu tenho certeza, você saberá utilizar eficazmente na sua vida!

>> Jogar com sua inteligência como com um jogo de "pequeno químico"
A inteligência disseca e carrega uma compreensão total da menor das componentes do que se observa, do que se pensa. Pode-se então jogar em examinar até a menor unidade, mesmo se na ponta de um momento inventa-se hipóteses novas. Pode-se provocar um problema difícil e em seguida juntar todas as peças do puzzle: como refazer uma nova imagem? Quando se tem todos os fragmentos, pode-se 'recompor'. Mesma coisa com uma ideia, um pensamento: desenvolve-se até o infinito, exagera-se para descrevê-la num máximo de linhas e depois se reacelera, e se resume. Na realidade, instaura-se uma sucessão de movimentos: num primeiro tempo, diminui-se o pensamento, o tempo. Alonga-se cada ideia, cada proposição, ao máximo. Depois se lhe dá um ritmo resistido, uma rapidez de tratamento das informações coligadas. O cérebro se remete em hiperativação e procurar acelerar-se o mais possível. Depois, retém-se e se reescreve a história: guardando o que é essencial, jogando o acessório, o supérfluo, o inútil, valorizando o que aparece como prioritário, positivo, construtivo, tranquilizador. "Joga-se" com o cérebro e nele fazemos exercícios de estilo utilizando todas as competências: a rapidez, a precisão, a análise.
* Um jogo de pensamento que permite aprofundar ideias e explorar as mais ínfimas componentes. 
* Uma fonte de inspiração poderosa para inventar novas teorias, novos sistemas de pensamento.
* Manipular seus pensamentos para se aventurar ao centro de si mesmo.

Com Stevan em terapia, nós empreendemos um projeto ambicioso: determinar a menor parcela de identidade que constitui o núcleo de cada personalidade. Stevan, entre duas sessões, inunda-se de teorias de todos os grandes pensadores de nosso tempo que refletiram sobre esta matéria psicofilosófica. Ele leu várias obras por semana. Certamente, Stevan fez isso pois é para ele uma primeira etapa para avançar na sua própria vida. Ele quis primeiro compreender, a ele e aos outros, para empreender seu projeto de vida. Trata-se para Stevan de uma passo pessoal incontornável.
Eu o acompanho assim na sua reflexão estimulada que as sessões terapêuticas tornam-se os catalizadores. Estamos na construção de um sistema que constitui a essência da avaliação de Stevan. Ele desenha seus modelos: uma pequena porção de "terra" rodeada de estacas para determinar os contornos. Cada estaca simboliza uma parte de si. A implantação dessas estacas podem assim evoluir ao longo da vida. O sistema de Stevan ilustra a concepção de identidade: ser sempre parecido, a porção original que não pode ser reduzida, tudo estando diferente, nosso território identitário alarga-se, modifica-se segundo as experiências, as evoluções pessoais. Stevan quer fazer uma teoria que possa servir para melhor compreender o homem e ajudar aqueles que estão à deriva. Por que não? O que é certo é que esta ilustração terapêutica representa precisamente a maneira que a inteligência pode ser utilizada para construir e se reconstruir. 

>> A inteligência e arborescência: ideias por milhares...
Sim, nós temos falado muito disso, a arborescência de pensamento pode desordenar as ideias. Sobretudo quando se deve organizar e estruturar o pensamento. Mas, em outros contextos, aprender a explorar este pensamento arborescente pode se tornar a fonte de um grande número de ideias. 

O 'Script-Mind' (1): anotar as ideias aos poucos
((1) técnica terapêutica que eu tenho pessoalmente introduzido e assim denominado.)
A técnica: parte-se de uma ideia, pouco importa qual. Uma nova ideia surgiu, anote-se-a. E anota-se tudo, estritamente tudo, mesmo o que parece sem interesse ou insignificante. Toma-se várias folhas brancas sobre as quais serão escritas as ideias surgidas da arborescência. Uma folha por tema, já que a ordem não é lógica e seqüencial, deve-se inscrever as ideias na medida que aparecem e categorizá-las agrupando-as por folha. Para-se quando quiser. E ao final, reencontra-se um certo número de folhas sobre as quais se ficará surpreso de reler o que foi anotado.
Habitualmente, a ativação da arborescência é tão rápida que numerosas ideias, associações de ideais, pensamentos diversos se apagam tão logo ativadas. Anotá-las permite tomar consciência e retornar àquelas que nos interessam. Isto permite também tomar conhecimento do que se tem "dentro da cabeça". É uma nova ferramenta ao serviço do conhecimento de si.
Esta técnica permite canalizar, mas também não esquecer. Os sobredotados têm medo de esquecer. Eles têm medo de perder suas ideias. E eles a perdem frequentemente aliás! Numa conversação, eles têm necessidade de pegar rapidamente a conversa sob o risco de ver sua ideia lhe escapar, o que o contraria muito. Mas o pensamento vai tão rápido que em alguns mil segundos, ele já passou para um outra coisa. Esse medo do esquecimento vai conduzir alguns a se enlaçar em seu pensamento, a ficar voluntariamente atentos ao que se desenrola na sua cabeça, sob o risco de se castrar do ambiente. 

"Quando eu era pequeno, eu não compreendia tudo e eu procurava tudo compreender, e depois eu me dei conta que a coisa mais horrível era o esquecimento. É preciso sempre tudo reconstruir. Nada é jamais conquistado." Étienne, dezoito anos. Então Étienne, hoje, permanece fixada sobre si mesma para reter todas suas ideias e toda sua compreensão do mundo. Ela está isolada socialmente.

* A técnica do Script-Mind é uma alternativa ao esquecimento. Desembaraçando seu pensamento, ela permite adquirir novos espaços interiores onde poderemos ser acolhidos de novos pensamentos, de novos prazeres de pensamento, de novas experiências de pensamento.

>> A inteligência em grande ângulo: um trunfo multiuso!
Na vida pessoal ou no universo profissional, esta inteligência singular, capaz de pensar um problema ativando simultaneamente representações múltiplas, alarga consideravelmente a compreensão e a análise. Cada problema pode ser estudado sob vários ângulos. Nenhum será negligenciado. Tudo será explorado. 
E, ao final, uma avaliação rara e exaustiva, um poder de reflexão fora do comum, uma visão esclarecida e potencial. Um imenso trunfo a utilizar sem moderação!

Viagem ao coração do pensamento
Como um passeio à vontade do vento, o nariz no ar. Um passeio aleatório no fio desses caminhos de pensamento. Como quando se lê um dicionário e que se salta de uma palavra a outra, de uma ideia a outra, de uma etimologia a uma outra... então as conexões se estabilizam. Dos laços que a priori não teriam podido existir. Viagem no pensamento onde as barreiras do tempo, do espaço se apagam mas também aquelas da lógica, do racional. Nem se restringem nem se impõem freios. O prazer do passeio, é tudo. Esquecer o medo e a dúvida. A autocrítica também, instantânea: é nulo! Certamente não. E mesmo se o fosse, por que não?

terça-feira, 17 de maio de 2016

A hipersensibilidade como talento

>> A emoção no coração da inteligência
A emoção é uma componente essencial do pensamento... inteligente! A capacidade de reparar precisamente suas emoções e aquelas dos outros é um talento.
Os sobredotados são particularmente dotados na matéria: eles captam toda sorte de emoções, mesmo a mais tênua. Eles sabem antecipá-la. Eles podem tentar canalizá-la. Controlá-la. E é aí que estes captadores emocionais podem se tornar aliados. Quando se sente uma emoção que não é ainda expressa, quando se adivinha a aposta emocional de uma situação, pode-se utilizar essas percepções para atravessar um momento difícil ou para ajudar os outros a fazê-lo.
Louis me explica que os filmes de horror jamais o deixaram com medo. Por quê? Ele analisou os mecanismos fisiológicos do medo. Quando ele olha esse gênero de filmes, ele compreende que para antecipar um medo previsível, seria suficiente acelerar seu ritmo cardíaco. Ele sincroniza antes da sobrevinda da cena assustadora colocando seu corpo num estado que o medo repentinamente teria sido fisicamente desencadeado (pois bem certo ele integrou e decompôs os artifícios do cenário). Seu corpo e seu espírito estão prontos a viver a cena tendo neutralizado a emoção violenta...
Sentir finamente e com todos os sentidos as emoções permite também melhor compreender-se. Todas as emoções estão associadas a manifestações fisiológicas. As emoções emitem sinais anunciadores pelos quais se saberá ou não perceber e decodificar. Dotado deste sexto sentido, o sobredotado sabe, antes que o evento se desencadeie, a carga emocional que ele contém.
* Ele pode se servir para se ajustar (como no exemplo de Louis e do filme de horror), vivendo assim melhor a situação sem se fazer transbordar.
* Ele pode antecipar e prevenir alguns perigos, para ele ou para seu entorno.
* Ele pode permitir evitar o desencadeamento de um conflito, como quando se percebe que um mal-estar existe entre duas pessoas e que a discussão está próxima de explodir. Pode-se desviar a atenção, dizer algumas coisas que tranquilizarão os protagonistas, que servirão de impedimento do conflito todo próximo. As crianças fazem-no frequentemente quando elas sentem a tensão subir entre seus pais...

>> Todos os sentidos a serviço do prazer de viver

A hiperestesia redobra as possibilidades
A colocação em ação de todos os sentidos simultaneamente e sua notável capacidade de discriminação, dão ao sobredotado uma presença no mundo fora do comum. A hiperestesia amplifica todas as percepções. Ela permite criar o bonito lá onde os outros não verão senão o banal. Ela ilumina o mundo pela densidade emocional que todos os sentidos proporcionam. A hiperestesia pode ser utilizada para capturar o ambiente e o magnificar. Utilizar todos os sentidos para abraçar o mundo.
Tudo sentir pode ser um imenso prazer e a fonte de momentos mágicos de vida. Aproveitá-los para se reabastecer desde que você o deseje. Esta força está em você. Utilize-a plenamente para sentir-se vivo.

A poética e a estética
O senso do belo, a sensibilidade ao real, ao que toca, é a essência mesmo da estética. O que não é uma questão de gosto, mas de sensibilidade.  A estética permite se harmonizar ao mundo naquilo que ele tem da mais íntimo. A estética é uma disciplina filosófica que se refere à percepção da forma (no sentido da Gestalt), quer dizer da globalidade do que é percebido. o senso estético é esta capacidade de perceber pelo intermédio de todos os sentidos e com uma sensibilidade perspicaz, a quintessência das coisas. A estética percebe por sua vez o escondido e o visível, o interior e o exterior e abraça o mundo com uma profundidade chocante. A estética é uma outra maneira, sensível e autêntica, de compreender a vida.
A poética não é somente a arte de compor os poemas. O caráter poético fala da capacidade de esquecer a si mesmo para exaltar a beleza da natureza ou do outro. A poética cria um laço íntimo com o ambiente. A poética, é o poder de se imergir inteiramente ao ambiente para dele absorver a essência ou a identidade. O poético é uma comunhão com o mundo pela capilaridade sensitiva.
Poética e estética estão estreitamente ligadas. Poética e estética emanam da hipersensibilidade e exaltam as possibilidades. Frequentemente fugidia, sua plena expressão torna vivo e presente o mundo que nos rodeia e nos permite ressoar com eles em harmonia perfeita. É uma porta formidável através da beleza da vida.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A criatividade como perspectiva

A criatividade é geralmente confundida unicamente como expressão artística. A criatividade recobre um mecanismo muito mais largo.
A criatividade é a capacidade de encontrar ideias novas, de compor dados variados cuja alquimia produzirá uma verdadeira novidade, é aceitar os riscos para se alongar em caminhos balizados, é descobrir os domínios, os universos, as pessoas, os lugares desconhecidos sem medo e com curiosidade, com a convicção que se encontrará, em si, os meios de adaptação a esta situação desconhecida e que se poderá aí adquirir o prazer.

>> Criatividade e percepção exarcebada do mundo: uma associação vitoriosa.
A criatividade nasce dessa capacidade própria do sobredotado de "não selecionar". O que os científicos chamam de defeito de inibição latente. O que torna-se a dizer que o cérebro capta tudo, inclusive as coisas mais banais. O que dá uma consciência mais fina do ambiente e amplifica as percepções. O cérebro do sobredotado não rejeita de imediato certos elementos, o que se faz habitualmente por condicionamento. Quer dizer que se aprendeu a selecionar o que era importante e o que o era menos. A hiperpercepção do sobredotado deixa grandes portas abertas. Eis que, deixar-se invadir com confiança e prazer por todas essa pequenas coisas que, juntas, podem tornar as ideias muito originais ou obras únicas. Uma obra pode recobrir mil visões. Permanecer ligado, sem medo, e as ideias jorrarão. É muito júbilo e pode ser uma via apaixonante de realização. Ainda uma vez, isto supõe ter bem compreendido que você não atrai nenhum risco de sentir o que você sente: uma percepção afirmada, extensa e sem limites. Tudo, absolutamente tudo, vai entrar no seu cérebro e poderá tecer laços insuspeitos que farão transbordar seu potencial criativo. 

Então, não se esqueça jamais: maiores são as portas da percepção, mais vossa criatividade é importante. Aproveite-a!

>> A criatividade deixa grandes aberturas nas portas dos possíveis.
O defeito de inibição latente, aquele que faz "entrar" no pensamento todas as informações sem triagem nem hierarquização prévia, tornam-se uma qualidade para a criatividade. Nenhuma possibilidade se fecha. Associando-se espontaneamente sobre a menor coisa que toca o espírito, os sentidos, o pensamento, produz continuamente cadeias de ideias novas. Nada saberá impedi-lo. É lá, e somente lá, que se precisará por vezes triar: olhar e reparar entre todas essas ideias aquelas que podem ter um sentido que nos reorienta ou nos conduz para um novo projeto. Através de uma nova ideia que a seu turno relançará a máquina sobre uma nova via, em novas associações...
Tomemos uma imagem: se eu colocar meu cérebro em modo open, tudo entra e meu cérebro vai moer o menor grão. Meu cérebro torna-se uma "caixa de ideias". mas eu posso também escolher o modo closed, e, como se eu fechasse um programa informatizado, eu não guardo aberto senão um só fichário. Eu posso também escolher colocar-me em modo vigília.

Permanece-se livre e determina-se o momento, o contexto, a vontade de nossos desejos e dos constrangimentos da realidade, de abrir ou colocar em vigília nosso cérebro. Nós podemos decidir ter a escolha e não mais ser invadido em contínuo e à nossa revelia todas as informações do mundo.

>> O pensamento divergente: quando surgiu o Eureka!
A arborescência afasta o curso do pensamento e cria inumeráveis confluentes que acionam o pensamento na sua corrente. Toda uma rede de canais se desdobra, sem descontinuar. Claro, em inúmeras circunstâncias, esta forma de pensamento que se estende da ordem inicial, que perde o espírito em conjecturas, que obriga a avistar hipóteses sempre diferentes, desencadeia associações de ideias inimterruptas, pode se revelar fatal. Do aluno incapaz de estruturar uma redação de francês ao universitário perdido em face da redação de sua memória, do conferencista afogado em explicações confusas ao profissional perdido na conclusão de seu relatório.
Mas somente o pensamento divergente, aquele justamente que permite às ideias se desenvolverem e se reencontrarem de maneira fortuita, é propício à criatividade, ou mesmo à descoberta genial. Quando se reflete sobre um modo analítico e linear, quer dizer que se parte de uma hipótese ou de um dado de base e que se caminha por etapas lógicas, chega-se a um resultado, mas raramente a uma ideia nova! É o pensamento convergente na oposição do pensamento divergente. Aquele cujo processo conduz a inteligência a convergir através do objetivo fixado. Enquanto que a arborescência repentinamente chegou sobre um cruzamento inesperado de ideias que não seriam jamais encontradas numa estrutura seqüencial do pensamento.

O pensamento divergente é vossa reserva de criatividade. Pense nisso!

Pensamento divergente, criatividade e tempo: 
As vantagens dos precursores
Estar em avanço na sua análise e sua compreensão das coisas, situar-se antes da origem do caminho de pensamento habitual, antecipar as consequências de uma situação ou de uma ação, permite chegar antes dos outros ao ponto de chegada. com a criatividade que proporciona o pensamento divergente e a casca de sentimento de tudo-poder próprio do sobredotado, todos os ingredientes estão presentes para se tornar um precursor no seu domínio. Qualquer que o seja. Bem certo, ser um precursor exige energia para ir à contra-corrente, para impor sua visão das coisas. É preciso carisma, talento, personalidade e uma profunda convicção, e se poderá assumir as críticas. Quando tudo vai bem, a personalidade do sobredotado é rica de todos os trunfos. É uma dimensão que não é preciso jamais ocultar pois, se muito tem de ideias, pouco chega a impô-las e a assumi-las. Que se o diga!

>> A intuição, um poder comparável aos sistemas experts
Um sistema expert corresponde à análise de uma situação que leva em conta uma multiplicidade de dados e de experiências para tratar quase exaustivamente o problema dado. É também a tarefa de um expert num domínio preciso, ele é aquele que dispõe de competências e da experiência exigida para pronunciar uma opinião ou uma decisão. Para o sobredotado, a rapidez de associação de ideias, de compreensão, de análise, que provêm de várias fontes diferentes e que se associa de maneira fulgurante, além da consciência, produz uma intuição criativa do resultado. Esta intuição é resultante de um processo complexo. Não é um pensamento mágico surgido de nenhuma parte. Deve-se, pode-se, confiar nele. A resposta a um problema através desse processo corresponde aos mecanismos àqueles do sistema expert, em potência e criatividade a mais!
O obstáculo: provar e justificar a legitimidade. A resposta: "É evidente", ou ainda "eu estou certo que é assim que é preciso fazer", terá dificuldade a convencer. Como o disse o matemático Henri Poincaré: "É pela lógica que se prova e pela intuição que se descobre." O que torna-se a dizer que será preciso utilizar uma lógica, à escolha, para fazer validar sua ideia. Mesmo se a lógica para demonstrar não é aquela utilizada para criar! Um pequeno tour será suficiente para convencer pois de toda maneira você mesmo não sabe como nem porquê você compreendeu o que você sabe, então como explicá-lo!
Seja então criativo (!) mas desta vez para produzir uma explicação plausível e aceitável. Dá certo, verdadeiramente, e é profundamente satisfatório.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A empatia como competência

A empatia, esta capacidade de perceber as emoções dos outros, é uma competência que, se ela pode por vezes fazer sofrer, abre-se a grandes e belas possibilidades.
Na relação, primeiramente. Captar o estado emocional do outro permite se harmonizar. Pode-se então avaliar a abertura de nosso discurso, o impacto de nossa presença, a incidência de nosso comportamento. E se ajustar. Quando não se desfruta da capacidade de empatia, fica-se geralmente "fora do assunto". Não se compreende uma situação senão a face exposta, e toda a sutileza nos escapa. Uma personalidade empática é aquela a que se ama confiar. Aquela que nos compreende por meia palavra. Aquela que vibra no mesmo tempo.

"Quando me falam, eu tenho a impressão de me sentir 'embaixo' do discurso. Eu devo sempre interrogar-me: - Será que eu respondo ao que se me diz ou ao que eu sinto? " Sandra traduz claramente o impacto da empatia na comunicação. Com suas armadilhas e seus trunfos.

>> Ser empático é ser simpático.
Quantos sobredotados são os confidentes designados? Quantos são aqueles a quem se virá a pedir ajuda, assistência, conselho para regrar mil e uma pequenas coisas da vida? É ao sobredotado que incumbirá mais frequentemente os 'pequenos arranjos entre amigos'. Pode-se contar com ele. Você pode então contar com esta competência emocional, vossa empatia natural, para ser amado e apreciado pelos outros.

>> Ser empático é uma capacidade de adaptação desejável.
A empatia é um trunfo para se ajustar em numerosas situações da vida e para antecipar a resposta melhor adaptada. No meio profissional, você compreenderá instintivamente que não é o dia para pedir um aumento pois você percebe a cólera ou a tristeza de seu chefe: numa negociação, você saberá adaptar seu discurso segundo a tonalidade emocional de seu interlocutor: numa relação comercial você saberá captar as variações emocionais de seu cliente potencial que vos permitirá reagir com argumentos convincentes... nos casais, é a empatia que é a melhor aliada para responder às expectativas, às necessidades do outro. Mesmo quando nada foi dito. É a empatia que cria esta cumplicidade muda, cimento de uma relação completa.

>> A empatia, a qualidade dos psicólogos?
Alice Miller, no seu livro notável O futuro do drama da criança dotada, diz que as crianças dotadas foram geralmente crianças terapeutas de seus pais. Eles chegam a decodificar e compreender do que os pais teriam necessidade para lhes satisfazer nos seus atos e seus comportamentos. Preenchendo as faltas afetivas de seus pais, a criança dotada torna-se expert para decodificar os sentimentos dos outros e isto lhe interessa pois isto sempre constitui para ela um "modo de ser". Então, adulta, ela se tornará... psicólogo! Alice Miller que o diz.
Poder compreender e aproximar o sentido do mundo e o funcionamento do homem com uma tal capacidade de empatia não é em efeito o perfil ideal para um psicólogo? Em torno de mim, eu conhecia muito dos psicólogos certamente sobredotados, mas que, mais frequentemente, não queriam o reconhecer. Como se o fato de ser sobredotado retirasse seu mérito profissional e pessoal.
Na minha prática clínica, eu tenho frequentemente encontrado adolescentes sobredotados que pensavam nessa profissão. Alguns já estão engajados. Eu prometi lhes propor uma colaboração no final de seus estudos. Eu tinha meus engajamentos! Eles serão psicólogos excepcionais... e talvez eu lhes pediria ser seu paciente! É verdade! Eu tenho uma real confiança nas suas capacidades de escuta, de empatia e sobretudo de síntese criativa para permitir-me acessar novas vias em mim que eu jamais explorei!

A sincronização das emoções: colocar-se no tempo.

A empatia oferece essa oportunidade rara: estar no tempo. O tempo emocional. Sentir com esta fineza e esta sensibilidade as emoções dos outros permite reagir e interagir, no bom momento. E a empatia não capta somente as emoções negativas, ela consegue também todas as nuances agradáveis do espectro emocional. Você perceberá uma leveza alegre no ar, em torno de você o prazer flutua, as emoções são felizes. Alimente suas reservas, capture estas emoções positivas. Elas vos serão úteis nos momentos mais difíceis. Elas alimentam vossas reservas, vossos recursos. É preciso sempre fazer provisões... lembre-se da cigarra e da formiga!
O tempo emocional é o que a maior parte das pessoas sentem partilhando um momento de música, ou melhor ainda, de dança. Sente-se vibrar no mesmo ritmo, levado pela emoção ambiente, pousado sobre as sensações do outro. Se é levado, transportado. São os momentos mágicos. A empatia, bem equilibrada, pode multiplicar esses momentos recursos.